quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ela é meio bonita.

Você sabe de quem estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes. Ela é tímida, mas não a tímida “meiguinha”. Ela é arisca e bicho-do-mato mesmo, daquelas que gosta de fazer cu doce e fica com a voz 60% mais baixa quando sente-se intimidada.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Castanho furta-cor. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
O silêncio dela às vezes é irritante. Ela é imatura e finge que tem amnésia. Se faz de vítima, drama-queen de carteirinha. 80% dos desenhos dela são cópias ou releituras.
Em casos leves, você pensaria “ela é quase bonita”. Depois de um baseado você diria “ela tem um tipo bastante especial”. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, apressada demais.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Quando você partiu ela acordou todos aqueles dias, sentiu-se a garota mais sozinha do mundo, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar seu corpo.
As meninas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe desconfortável, contente, ou triste, ou puto da cara. Alguém que te dê trabalho.
Poderia ser essa menina, se ela não fosse tão fissurada em suas próprias leituras.
Se ela deixasse de odiar as pessoas e achar que de fato é um dragão.
Se ela não fosse sensível demais e se emocionasse até com inauguração de supermercado.
Se ela fosse mais descolada.
Se ela fosse mais confiante.
E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, também, meio bonito.
Meio anacrônico.
Meio antiquado. Meia estação.
[Dragões não conhecem o paraíso]

5 comentários:

Ana Claudia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kakau Tendrás disse...

Odeio esse autor. Ele escreveu o livro, que eu queria escrever.

Patricia C. disse...

qual o nome do livro? adorei esse texto.

Jey disse...

Dragões não conhecem o paraíso!

Paty disse...

JEY VC EH MARA!!

hahaha
eu curti! me empresta o livro!?
me empresta marley e eu?
hahahaha

S A U D A D E S !!!!!!